domingo, 11 de agosto de 2013

Um cigarro, uma heineken, Ella, Evans, Miles... let it snow. 
Foram tantas as vezes que andou por ruas desconhecidas e pessoas estranhas. Tentava manter a cabeça erguida, mas acabava sempre olhando para o chão. Acreditava que aqueles lugares tão diferentes talvez fossem seu lugar. Na verdade, acho que nunca acreditou nisso, mas desejava achar um lugar pra chamar de seu. Nunca achou. Outros países acabavam sendo mais fáceis do que imaginou, talvez nunca acreditara que teria que deixar sua pátria. Cidades próximas era um pouco mais difíceis. Por vezes, saia, conhecia pessoas aleatoriamente e tentava pertencer, mas nunca soube o que era isso. Hoje ele sentiu isso em sua própria cidade. Caminhou entre prédios com apartamentos acesos, ouvindo vozes indistintas que eram indiferentes a sua presença. Não parou. Fez o que tinha que fazer, somente caminhou. A volta fria trouxe um sentimento diferente, doloroso, cruel. Sentiu-se tão sozinho em sua própria cidade como nunca se sentira, mesmo em outro continente. Aquela esperança de ter um lugar seu, com pessoas suas, um colo afável e um abraço apertado... sentiu essa esperança se esvaecer hoje. 

domingo, 9 de junho de 2013

Era alguém que vivia na lua, vizinho das estrelas e olhava sempre para baixo. Tinha os olhos sempre voltados para os acontecimentos mundanos do planeta. Impressionava-se com a simplicidade, admirava as pequenas coisas, torcia pelos sorrisos. Acontece que morava lá em cima e, apesar da beleza de tudo o que o rodeava, era só. Aquelas estrelas, de tão grandiosas, não entendiam a inocência de seu coração. Ele se culpava, mas sonhava. As noites, sentava-se na lua sem ser visto e, com uma vara de pescar, buscava alguma coisa daquele mundo lá de baixo. Quietinho, sem chamar atenção, jogava sua vara e torcia para que alguém o salvasse daquele mundo de gigantes.
Sempre me pego pensando na vinheta da DreamWorks, que mostra um menino sentado na lua, pescando. Como alguém tão perto das estrelas pode se interessar outra coisa?

domingo, 5 de maio de 2013

Assisti o novo filme de Antonio Carlos da Fontoura, Somos tão jovens. Um filme sobre o cenário rock de Brasília, na verdade sobre o Renato Russo. Um filme vívido, dinâmico, ágil, com algumas boas atuações e uma saudade de algo que, no fundo, nunca conheci. Sou de uma geração que nasceu junto com o Aborto Elétrico e era muito jovem para ouvir Legião Urbana em seu início. Entretanto, pouco antes da morte do Renato e mesmo após dela, crescemos aos moldes daquelas músicas.
O grande problema da nossa geração é que não vivenciamos nada (ou quase nada) daquilo que fomentou a formação da banda: a repressão, as influências do punk e pós-punk, o cenário britânico, a ditadura militar ou seus resquícios, a mesmice de Brasília (isso talvez tenhamos visto todos). Acredito que não participar de todo esse movimento criou em nossas cabeças uma ilusão ainda maior sobre tudo aquilo que a banda representara. Talvez não tivéssemos a exata noção de tudo o que as letras significavam, mas vivemos à sombra do maior folclore que essa cidade recém-construída teria.
Impressionava como a banda, questionadora e rebelde, tornou-se triste e melancólica. Uma alma tão sensível  muito ferida por esse mundo cruel, tenho certeza. E quantas vezes essas músicas embalaram nossas tardes e noites, seja em rodinhas de violão, seja reclusos na solidão de nossos quartos. Fato é que a Legião talvez tenha sido o que melhor essa cidade teve, atemporal, intenso e breve. Fica aquela saudade no peito e uma lágrima no canto dos olhos.