sexta-feira, 21 de março de 2003

"A violência é tão fascinante..."
Acostumei-me a ver filmes americanos, violentos. Pago pra ver uma karateca bater em 50 pessoas, pago pra ver um cara com uma faixa vermelha na testa matar 3000 pessoas com uma simples metralhadora, pago, até mesmo, pra jogar um jogo de computador cujo objetivo é matar seus adversários. Não adianta, o jeito é matar! Se você não o matar, ele te mata! É você ou ele! E ganha quem matar mais vezes... se você atirar na cabeça, ele morre mais rápido e você gasta menos bala podendo, assim, matar mais gente! É incrível o que colocam-nos a frente todos os dias. É incrível o que fazem com que acreditemos. É incrível como moldam-nos a seu bem interessem. Acostumei-me a isso tudo e, quando vejo uma câmera filmando uma bomba caindo em um prédio, logo penso "Nossa, se ela atingisse um pouco mais a base faria mais destruição". Pensamento prontamente repreendido "Seu idiota estúpido!!! Pessoas moravam naquele prédio e muitas vidas foram tiradas". Sinto-me envergonhado por ser tão covarde, tão egoísta e alienado. Foi isso o que fizeram comigo? Pra isso você frequenta uma Universidade? Novamente um sentimento de culpa cai-me sobre os ombros e nada mais tenho a dizer. Sinto-me envergonhado, por mim, por esses donos do mundo, pelo próprio mundo. Sempre acreditei que guerra e violência eram coisas do passado, de civilizações(??) atrasadas, barbárie. E o que vejo agora? A maior economia mundial cometendo essa barbarie. Penso mais um pouco, se fizesse Direito, ou Relações Internacionais estaria chocado; estaria realmente triste em ver que tudo o que estudei, o que eu escolhi pra vida, no final das contas, não serve pra nada! Nessas horas que eu peço que Deus exista, pois essas pessoas não podem sair ilesas disso... Mas qual castigo seria suficiente pelo genocídeo ? Pela destruição em massa de cidades? Pela destruição de lugares históricos? E qual o castigo suficiente pra destruição da esperança de todo um planeta, esperança de um dia viver, de um dia ter uma vida digna, de um dia se orgulhar da raça a qual pertence? Mas não são somente esses sentimentos que me revoltam. Ao ouvir dizerem "Nosso poder bélico é infinitamente maior que o deles", me pergunto: e é por isso que insistem em atacá-los ? Pela certeza da vitória ? Quando eu era menor, eu era pequeno ( ainda sou pequeno ), e sempre existiram os meninos grandes que aterrorizavam a escola. Eu nunca abaixei a cabeça pra eles... um dia apareci sob os punhos de um deles, mas pude deixar um rastro de sangue em sua cabeça. Fui visto como o culpado por isso, por tamanha violência. Eu só me defendi, tinha um menino sentado em cima de mim me batendo. Eu, com uma raquete de ping-pong na mão, o que poderia fazer? Meti a raquete na cabeça dele. A partir daí ninguém nunca mais mexeu comigo, menos sendo pequeno. Perdoe-me ter fugido da questão, mas é que sempre quando os "grandões" queriam bater nos "pequenos" a diretora da escola vinha e dizia que era errado. O que vemos agora é o aluno "grandão" dizendo "vai se fuder diretora". É mais ou menos isso o que vimos os EUA fazer com a ONU... Covardia! Malditos! Como a Mayra disse, queimem no mármore do inferno! É isso mesmo, cliché vindo de novela da globo, porque seriados americanos eu não vou mais assistir. E mesmo que tenham comprado nossa tradição e nossa cultura, nosso orgulho e dignidade eles não podem levar!

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