sábado, 31 de janeiro de 2004

Ouvindo : Yngwie Malmsteen - Beethoven´s 5th
Quantos filmes a que assistimos no último ano nos deram a sensação de que o real, o que importa de fato na vida, não se restringe ao que vemos nas ruas, em casa ou na televisão, senão também nas duas horas de projeção de uma película? Dogville tem esse poder. Na verdade, “exercita” esse poder porque seu êxito reside no fato de que o mundo nunca esteve tão propício para um filme como Dogville. E como está o mundo, afinal? Ao que parece, cada vez mais contrário à hegemonia americana e é disso que o filme de Lars von Trier se alimenta para discorrer sobre a alma dos nossos “amigos” do Norte. Seu sucesso é compreensível: Dogville não termina quando o filme acaba. ... Para quem tem apregoado que a decadência norte-americana virá de dentro, Dogville é colírio. Para quem consome a “americanidad” sem muito pensar a respeito, são só três horas de um filme legal.

Se me perguntado fosse, diria que o que mais percebo nessa crítica é a necessidade de auto-afirmação do autor. Agora quanto ao filme... "dividido em 9 capítulos e um prólogo". Já no prólogo tudo era diferente e tinha, então, aquela sensação de que tudo ia mudar logo e o filme iria começar. Não começou. Que interessante! Capitulo 1... 2... 3... 4... olho pro relógio... 5... 6... que cadeira desconfortável... 7... 8... eita! Agora parece que tem alguma coisa acontecendo... 9... putz! Fera! O filme termina, as pessoas permanecem no cinema com um olhar pouco comum. Ó céus, o que terá acontecido? Gritam comigo : Anda logo, não aguento mais ficar aqui! Aos poucos as pessoas vão saindo, metade delas um pouco chocadas... não pelo conteúdo do filme, mas pelo filme! Teriam todos que conhecer Lars von Trier antes de assisti-lo? Acho que não... todo mundo viu Dançando no Escuro... critica a sociedade americana? Minha analogia não foi essa e sim ao comportamento humano... mas ahhh... dá na mesma, não dá? Assistiria denovo? Definitivamente não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário