segunda-feira, 12 de julho de 2004
Essa é a primeira vez que vocês lerão algo sério nesse blog. Impressionante como as coisas vão e vêm com uma velocidade maior do que podemos perceber. Pior, elas vão e, quando nos damos conta, elas já foram. Incrível a transitoriedade dessa vida! Sábado eu assisti o jogo do Brasil com ele; ontem, depois do workshop, eu ia visitá-lo juntamente com minha vó. Foi quando me disseram pra não ir, porque eles não estavam em casa, tinham ido ao hospital. Eu quis ir, insisti, mas me mandaram voltar pra casa pois ele estava internado e eu não poderia vê-lo. Foi assim que vim pra cá, meio atordoado com tudo o que aconteceu, mas esperançoso de que amanhã iríamos visitá-lo naquela cama de lençóis azuis com aqueles tubos coloridos atrás que sempre me divertiam em hospitais. Quando acordei, ele já tinha ido. Ainda na cama, ouvi minha mãe falando ao telefone se já tinham contado pra minha vó. Levantei e, do jeito que estava, me arrastei até minha mãe pra descobrir a triste verdade. Eu era novo quando meu avô morreu, era novo pra sentir tudo isso. Agora não, agora eu sou adulto e percebo como é difícil segurar as lágrimas nessas horas. Como é difícil se mostrar forte mesmo sabendo que aquela pessoa nunca mais vai estar ao seu lado. Ele deve estar melhor agora, assim acredito. Era uma boa pessoa, uma vida difícil. Com certeza deve estar sentado ao lado de algum Deus, conversando sobre coisas boas. Será que o céu é como em um livro da Alice Sebold? Eu não tive oportunidade pra dizer-lhe o quanto eu gostava dele e o quanto era importante pra mim. Pior é que oportunidades eu tive, muitas! Se não disse foi por aquelas razões que nos levam a sempre adiar tudo: comodismo, alienação, descaso. Seja como for, chame como quiser, todos sabem exatamente o que isso é. Não mais terei a chance de dizer isso a ele, senão em orações. Como tudo aconteceu rápido, meu Deus! Tão rápido que não sei como me sinto ainda! Acho que não me dei conta ainda do fato. Pessoas, vivam a vida de vocês! Vivam o dia presente como se fosse o último! Façam de todo o momento, o momento mais feliz da sua vida! Mais feliz a cada momento, e cada momento mais feliz que o anterior! Sei que não parece comigo, mas tem que ser. Disse há poucos posts atrás que a vida era muito curta pra ser pequena! Agora percebo quão curta ela é. Era uma das pessoas mais próximas de mim, que fizeram mais por mim e eu não tive a chance de dizer obrigado. Pois bem, agora eu digo. Não tarde, acredito. Espero que onde você esteja, exista internet e você possa ler isso. Mas obrigado, obrigado por se preocupar comigo, obrigado por ser você. Deixo aqui minha pequena homenagem a essa pessoa que sempre esteve junto comigo e que continuará estando, em meu coração, por toda essa vida. Deus, cuide dele por mim. Obrigado.
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