Lembro-me quando passávamos a noite de natal aqui em casa. Os preparativos começavam a ser feitos no dia anterior, a casa era arrumada, eu me certificava que os enfeites da árvore estavam arrumados e não havia nenhuma lampadazinha queimada. Tudo pronto, agora esperávamos pelos convidados que, sempre, tardavam a chegar. Achava incrível como os presentes embaixo da árvore iam se multiplicando, em cores, em formas, em tamanhos. As crianças sempre ficavam perto, olhando os nomes, procurando algo que lhes pertenceria em poucos instantes. Gostava de brincar com os primos, tomar um gole de espumante (um gole eu deixo você tomar, filho!), comer a sobremesa gostosa da minha tia. Sempre voltava pra casa, com a barriga cheia, o saco cheio de presentes e um sorriso no rosto. Ao entrar, não entendia como é que o porteiro passava a noite sozinho a controlar entradas e saídas das pessoas que iam se divertir e comemorar com suas famílias. Sentia-me tão triste por ele, que fazia questão de preparar um prato super bonito com uma garrafa bacana de espumante e levar pra ele. O sorriso recebido fechava com chave de ouro toda aquela noite mágica e encantada.
(suspiros)
Onde foi parar tudo isso?
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