sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Hoje eu pensei em você. Acho que essa semana toda eu pensei em você. Talvez tenha sido por ler seus tweets mais tristes, talvez por sentir falta de alguém com quem eu possa conversar sobre qualquer coisa, talvez os dois... Senti uma vontade de estar perto só pra te dar um abraço e poder dizer que as coisas vão ficar bem, mas senti também uma vontade de receber esse abraço e ouvir a mesma coisa. Culpo a distância, mas a vida se encarrega de... não, esse mentalismo nunca me levou a lugar nenhum. Não é a vida, sou eu! E me culpo mais um pouquinho. Talvez eu esteja em um daqueles momentos que combinariam com um filme do Woody Allen, o som de um jazz antigo, um dia chuvoso no Central Park e duas pessoas deslocadas do mundo, mas que se bastam. Queria que fosse você hoje lá comigo. Como há muito não conversamos, acho que teria muito assunto, não é? Quem sabe terminar a noite ao estilo paulistano, uma breja, uma banda e depois... ahh... depois a gente passa em uma pizzaria. 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Era um entardecer de sexta feira. Dirigia rumo a um lugar qualquer, para uma situação que não lhe interessava muito. O caminho em si, por outro lado, tornou-se seu maior entretenimento. Gostava de passar por aquelas vias, sempre observando as pessoas caminhando, os outdoors comerciais que insistiam em tentar convencer e, ainda, aqueles apartamentos que começavam a se iluminar à medida que o sol ia se pondo. Gostava do contraste entre as luzes acesas de alguns apartamentos e apagadas de outros. Sempre se concentrava primeiro naqueles sem luz e perguntava onde estariam aqueles que não poderia observar. Em sua cabeça, imaginava muitas vidas e infinitas possibilidades. Talvez tenham viajado e estejam vivendo deliciosos momentos ao lado de suas famílias; talvez, ainda presos no escritório, estejam terminando o último projeto de sucesso; quem sabe não puderam sair porque salvavam vidas.
O caminho, por si, não demorava muito. Tão logo chegava, aquelas imagens e possibilidades logo se dissipavam na usual rotina do ser humano. Absorto em seus afazeres, tinha pouco tempo para pensar naquelas vidas ao longo do dia. Porém, tão logo o sol se punha e dirigia-se para seu descanso, aquelas imagens rondavam-lhe a cabeça.
Gostava, especialmente, de observar os grandes apartamentos envidraçados, que permitiam uma rápida olhava. Comumente, conseguia ver pessoas, porém lhe chamava muita atenção as oportunidades festivas. Via pessoas se cumprimentando, curtos abraços, vários diálogos. Já não pensava muito em quem seria, somente comparava aqueles momentos com os seus.

Sem que percebesse, tentava participar daqueles momentos mesmo que de longe. Nunca parou para pensar, no entanto, que só projetava vidas perfeitas, vidas que gostaria de ter tido... Nunca pensou que o trabalho pudesse ser a experiência mais estressante de um, que  outro vivesse um pequeno martírio todo dia que chegava em casa, ou que alguém sofresse pelo simples fato de sofrer. Na tentativa de participar da suposta vida perfeita que não tinha (nem ninguém), esqueceu a sua e, quando se deu conta, já não tinha mesmo.

domingo, 29 de março de 2015

Assusto-me quando ligo a televisão e vejo mais uma tragédia acontecer. Tantas vidas perdidas com a mesma velocidade que procuram para ela achar explicação. Em menos de dois dias há culpados; ou melhor, culpado. Tem nome, sobrenome, residência, profissão, currículo, família, ex-namorada e história médica. Mais rápido do que isolar a área do acidente para o trabalho da perícia, um vazamento de gravação leva à primeira pista, ao primeiro indício e, subitamente, tudo parece estar explicado. A velha necessidade que temos de justificar o injustificável, de explicar o que não compreendemos, de racionalizar tudo que se sentimos. Uma vida inteira é vasculhada, não importa a quem prejudique. Informações verídicas e inverídicas são jogadas aos quatro ventos, procuram a todo momento a melhor cobertura, o melhor furo, a informação mais acertada. Não se preocupam, talvez, com mais de uma centena de vítimas e seus familiares, não se preocupam com todos outros que nada mais podem fazer a não ser sofrer. Tristes e tenebrosos os dias quando os sentimentos, a honra e a paz são desrespeitadas por um simples furo de reportagem ou uma carreira em algum órgão público de acusação. 
Sabe quando você assiste aquele filme que te deixa sensível e te coloca a pensar em botões e frangalhos? Então você pára e só consegue sentir um pontinho lá dentro, que de aparentemente perdido, surge e pulsa e se mostra grande. É como se chorasse, mas o sentimento valoriza tudo que se vive. E qual não seria a vontade disso tudo senão essa sensação de "vida"?!

domingo, 11 de agosto de 2013

Um cigarro, uma heineken, Ella, Evans, Miles... let it snow. 
Foram tantas as vezes que andou por ruas desconhecidas e pessoas estranhas. Tentava manter a cabeça erguida, mas acabava sempre olhando para o chão. Acreditava que aqueles lugares tão diferentes talvez fossem seu lugar. Na verdade, acho que nunca acreditou nisso, mas desejava achar um lugar pra chamar de seu. Nunca achou. Outros países acabavam sendo mais fáceis do que imaginou, talvez nunca acreditara que teria que deixar sua pátria. Cidades próximas era um pouco mais difíceis. Por vezes, saia, conhecia pessoas aleatoriamente e tentava pertencer, mas nunca soube o que era isso. Hoje ele sentiu isso em sua própria cidade. Caminhou entre prédios com apartamentos acesos, ouvindo vozes indistintas que eram indiferentes a sua presença. Não parou. Fez o que tinha que fazer, somente caminhou. A volta fria trouxe um sentimento diferente, doloroso, cruel. Sentiu-se tão sozinho em sua própria cidade como nunca se sentira, mesmo em outro continente. Aquela esperança de ter um lugar seu, com pessoas suas, um colo afável e um abraço apertado... sentiu essa esperança se esvaecer hoje. 

domingo, 9 de junho de 2013

Era alguém que vivia na lua, vizinho das estrelas e olhava sempre para baixo. Tinha os olhos sempre voltados para os acontecimentos mundanos do planeta. Impressionava-se com a simplicidade, admirava as pequenas coisas, torcia pelos sorrisos. Acontece que morava lá em cima e, apesar da beleza de tudo o que o rodeava, era só. Aquelas estrelas, de tão grandiosas, não entendiam a inocência de seu coração. Ele se culpava, mas sonhava. As noites, sentava-se na lua sem ser visto e, com uma vara de pescar, buscava alguma coisa daquele mundo lá de baixo. Quietinho, sem chamar atenção, jogava sua vara e torcia para que alguém o salvasse daquele mundo de gigantes.
Sempre me pego pensando na vinheta da DreamWorks, que mostra um menino sentado na lua, pescando. Como alguém tão perto das estrelas pode se interessar outra coisa?

domingo, 5 de maio de 2013

Assisti o novo filme de Antonio Carlos da Fontoura, Somos tão jovens. Um filme sobre o cenário rock de Brasília, na verdade sobre o Renato Russo. Um filme vívido, dinâmico, ágil, com algumas boas atuações e uma saudade de algo que, no fundo, nunca conheci. Sou de uma geração que nasceu junto com o Aborto Elétrico e era muito jovem para ouvir Legião Urbana em seu início. Entretanto, pouco antes da morte do Renato e mesmo após dela, crescemos aos moldes daquelas músicas.
O grande problema da nossa geração é que não vivenciamos nada (ou quase nada) daquilo que fomentou a formação da banda: a repressão, as influências do punk e pós-punk, o cenário britânico, a ditadura militar ou seus resquícios, a mesmice de Brasília (isso talvez tenhamos visto todos). Acredito que não participar de todo esse movimento criou em nossas cabeças uma ilusão ainda maior sobre tudo aquilo que a banda representara. Talvez não tivéssemos a exata noção de tudo o que as letras significavam, mas vivemos à sombra do maior folclore que essa cidade recém-construída teria.
Impressionava como a banda, questionadora e rebelde, tornou-se triste e melancólica. Uma alma tão sensível  muito ferida por esse mundo cruel, tenho certeza. E quantas vezes essas músicas embalaram nossas tardes e noites, seja em rodinhas de violão, seja reclusos na solidão de nossos quartos. Fato é que a Legião talvez tenha sido o que melhor essa cidade teve, atemporal, intenso e breve. Fica aquela saudade no peito e uma lágrima no canto dos olhos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

That awkward moment when... quando você arruma a sala, desliga a tv, confere se as almofadas estão confortáveis, fica offline em todas as redes sociais, coloca um CDzinho especial pra tocar bem baixinho, enfim pega o celular e... ela não atende! Ops!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Já disse que gosto das quintas-feiras? Quinta é sempre uma promessa, mas e dai se nada der certo? Não é fim-de-semana ainda! No big deal! Já sexta é mais tenso. Não sei por que cargas d'água minhas folgas insistem em cair na sexta. Logo cedo já abro o jornal em busca de programas animados, tentando fazer igual o que todos dizem no facebook. Não raras vezes não acho nada, os amigos somem, ou tenho muita preguiça pra sair, mais ou menos como aconteceu hoje. Adorei conversar na internet com ela sobre a reforma, sobre geladeira e, mais importante, sobre o que deveria ter na geladeira! Pensei nas inúmeras vezes quer compraria alguma coisa que sabia que gostasse e deixaria lá, quietinha, só esperando o dia que ela abrisse aquela geladeira e a encontrasse. Bem, no final, duas cervejas, uma comedia romântica - Friend with Benefits -e um sorriso no rosto. Coração piegas da porra!

domingo, 14 de agosto de 2011

Retrato de um dia dos pais

As imagens fazem parte da minha vida como as músicas. Bem pela manhã - não tão pela manhã assim - acordei e meu irmão já se encontrava em casa. Tinha deixado tudo preparado no dia anterior, então foi só entregar a ele e felicitar nosso pai. Convencemo-no a almoçar fora. Na verdade, nem perguntamos se ele queria. Aquilo parecia tão bom, diferente, digno de uma comemoração. Minha mãe, por outro lado, mostrava-se pouco interessada e tentava boicotar o plano, em vão. Fomos. Oito mesas na nossa frente, espera de uma hora, que passou tão rápido que nem vimos. Uma visita a minha vó. Ela sempre tão feliz com visitas... acostumou-se com a casa sempre tão cheia que ainda sofre por todos terem crescido e seguido seu rumo. Não sabia o que fazer com aquela casa toda cheia, mas um sorriso permanecia em seu rosto. Uma notícia estarrecedora me porturbou profundamente. O professor mais alegre e brincalhão que tive falecera. Tão novo, tão precoce... Ouvi tantos "pra morrer basta estar vivo" que não pude deixar de refletir sobre o que significava "estar vivo". Logo, deixamos os de mais idade em seu alegre jogo de baralho e fomos ao parque, assistir a Fernanda Takai divertindo crianças enquanto o céu se encarregava de deixar tudo mais especial. Bem bonito. Em certo ponto, com o solzinho se pondo ao fundo, nossos olhos não deixaram de reparar: um lençol estendido sobre a grama, um mãe sentada, tomando chimarrão, o pai deitado lendo um livro e a criança, entre os dois, brincando. A vida não pode ser mais simples e feliz, pode? Tantos pais, tantas mães, tantas crianças brincando e sorrindo. Após, teatro que já, ao entrar, já mostrava os atores em cena, esperando-nos. Eduardo Moscovis, você está sentado no meu lugar! Que nonsense, não? Tantas imagens, tantos sentimentos. No final, a certeza que as coisas precisam mudar e o primeiro passo será dado amanhã cedo, bem cedo. Aguardem!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ainda em relação a ER, talvez o Dr. Greene tenha sido o mais próximo de um herói que eu já tive. Triste saber que o seu herói nunca existiu! Tudo bem, o Super Homem e o Batman também não e tem um monte de gente por aí fantasiado! Entendeu porque eu estou ficando careca? ;)
Sempre gostei de séries, mas nunca fui fiel a uma como sou a E.R., Emergency Room, Plantão Médico. Lembro quando comecei a assistir, passava tão tarde no SBT e eu não tinha idade pra ficar acordado. Aquela movimentação toda me fascinava. Confesso que tenha sido uma das maiores contribuições a minha dedicação a medicina. Cresci acreditando que um pronto-socorro era como o County Hospital, em Chicago. Acreditava que dava pra parar um pouquinho no meio do plantão pra jogar basquete no meio da noite, que a gente tomava café todo dia de manhã no trailer da frente, que nevava e ficávamos presos na rua, mas não sem antes jogar uma bola de neve na cara do seu colega. Achava que, quando o plantão terminasse e saíssemos do trabalho, a música começaria, a cidade mostraria-se colorida e um sorriso iluminaria o rosto, enquanto os créditos subiriam. No dia seguinte, tudo começaria com um "previously in ER" e eu seria atualizado de todos os fatos, de tudo que era importante pra mais um dia incrível, ao lado de pessoas incríveis, um dia de alegrias e sofrimento que valeria toda a pena. Posso processá-los por terem me iludido tanto?
Hoje estava sendo no sofá, olhando pra lugar nenhum, pensando no rumo que vida tinha tomado. Aproveitei e pensei em todos aqueles que estiveram ao meu lado durante todos esses anos. Hoje, cada um em seu lugar e, em algum momento, devem parar e pensar o mesmo. Acho que estou me dando conta que cresci, que a vida não é mais diversão, não são horas de conversa no telefone, não é mais dever de casa, não é estudar pra prova. Começo a perceber que hoje não posso falar dos meus colegas como "meninos" e "meninas". Mas o que mudou aqui dentro, senão a falta que sinto por não ter mais tudo isso?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Que saudade do tempo que era só trocar o cartucho e pronto! Saudade do tempo que celular funcionava só pra ligar! Principalmente, saudade do tempo que marcávamos na 6a-feira uma saída no sábado e bastava isso! Agora jogamos a idéia na 6a, confirmamos por e-mail, lembramos por SMS e ainda avisamos que estamos saindo nas redes sociais! Pior, agora podemos saber onde as pessoas estão, o que elas estão fazendo... e isso, na maioria das vezes, só machuca! Eu sei que ninguém escreve "to indo" no facebook pensando em ferir alguém, mas vira e mexe isso acontece e a gente nem se dá conta! Quando foi que tudo ficou tão complicado?

domingo, 6 de março de 2011

Quando o destino te permite escolher entre a felicidade comedida, mediana, desinteressante e uma nova tentativa, sem garantias, você pára, empaca e simplesmente não sabe o que fazer. Todos, absolutamente, diriam que é necessário tentar, ousar, se jogar em novas terras; mas quanto a fazer, as coisas ficam um pouco mais complicadas. Quando trata-se de corações, de dor, de alegrias e tristezas, nossas decisões ofuscam-se e, embora saibamos o que diríamos para outrem, o silêncio e a indecisão imperam sobre nossas cabeças. Como no trivial Comer, Rezar e Amar, quando na mesa de Thanksgiving Day, ouve-se "I thank God for fear because for the first time l’m afraid the person next to me will be the one who wants to leave". Se desligar depois de tanto tempo parece tão difícil! Prefiro os relacionamentos que acabam em traição, em brigas feias, em raiva... já quando o motivo é... qual mesmo o motivo? Simplesmente seguir em frente, sem raiva, sem angústia, só com a dor no coração e a solidão da vida. Mas como? Nesse momento, as coisas parecem estar mais claras pra mim. Eu não sei o que sinto, o que fazer ou pra onde ir. Não sei mesmo. Enquanto não souber, melhor não machucar ninguém.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Era uma pessoa 98% emocional e, desse jeito, não conseguia entender como o mundo acontecia. Queria ser menos intenso, queria sofrer menos, queria amar menos. Não entendia como iam todos sempre ao trabalho sem olhar pro céu, sem ouvir as árvores. Nunca conheceu outro como ele, nem outra, nem algo. Sentia-se uma estrelinhas, sentia-se abandonado em um mundo de gente grande. No fundo, estava. No fundo, nunca procuraram entendê-lo. Mas nunca desistiu, deve estar por aí.

"A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando se apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava pra ela e toda luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor que até hoje a lua insiste: Amanheça por favor!"
do Leminski

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Papai Noel, vê se você tem a felicidade, pra poder me dar! Já faz tempo que eu pedi, mas o meu papai noel não veio, com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem... e depois dizem que natal é uma época feliz...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lembro-me quando passávamos a noite de natal aqui em casa. Os preparativos começavam a ser feitos no dia anterior, a casa era arrumada, eu me certificava que os enfeites da árvore estavam arrumados e não havia nenhuma lampadazinha queimada. Tudo pronto, agora esperávamos pelos convidados que, sempre, tardavam a chegar. Achava incrível como os presentes embaixo da árvore iam se multiplicando, em cores, em formas, em tamanhos. As crianças sempre ficavam perto, olhando os nomes, procurando algo que lhes pertenceria em poucos instantes. Gostava de brincar com os primos, tomar um gole de espumante (um gole eu deixo você tomar, filho!), comer a sobremesa gostosa da minha tia. Sempre voltava pra casa, com a barriga cheia, o saco cheio de presentes e um sorriso no rosto. Ao entrar, não entendia como é que o porteiro passava a noite sozinho a controlar entradas e saídas das pessoas que iam se divertir e comemorar com suas famílias. Sentia-me tão triste por ele, que fazia questão de preparar um prato super bonito com uma garrafa bacana de espumante e levar pra ele. O sorriso recebido fechava com chave de ouro toda aquela noite mágica e encantada.
(suspiros)
Onde foi parar tudo isso?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Yeah! Apaguei uns 20 posts de alguma coisa que existiu, mas agora não faz o menor sentido!
Cada vez que tento racionalizar a vida me convenço que ela é simples. Simples como acordar, escolher entre o azul e o branco, decidir entre leite ou café, ir de taxi se chover, metrô do contrário... Mais, simples como dar bom dia aos estranhos, levar café pro colega, comprar o livro que sua amiga tanto queria, mandar um "bom dia" por SMS, convidar outros pra almoçar, ceder seu lugar no ônibus, fazer as crianças da rua rirem (e descobrir que quem ri é você!), atravessar na faixa, esperar o sinal, dar tchau antes de ir embora e um beijo antes de dormir. Mas, se é tão fácil, por que a gente tem sempre que complicar tudo?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sem chances, ele pensava enquanto assistia o dramalhão televisivo. Seus olhos vidrados na tela, sua mente formulando críticas e aqueles olhos em seu pensamento. Não acreditava, não era possível! Tentava racionalizar, atribuía seu estado às cenas românticas que assistira, mas, sabia, não se tratava de uma história de amor. Sem saída e em dúvida, aproveitava. Há tempos não tinha olhos em sua cabeça e sorriso em sua face.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Assisti A Suprema Felicidade, do Jabor. Um time de primeira com incríveis interpretações contando uma história não linear que poderia ser a minha, a sua, daquele outro ali. É uma filme sobre a vida, sobre a busca da felicidade, que pode ser percebida em cada cena, seja nos olhos de um avô delirando, seja nas fotografias entregues ao comprador de jornais, mas, muitas vezes não percebida...
Se nada disso interessasse, ainda tem a Tammy Di Calafiori bem a vontade, digamos! Um pitelzinho, como diria o Marcelo Tas.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sabe aquela história do cometa que se choca com Terra? E aquela do rapaz que vai e vem encontra alguém e nunca dá certo? O que elas tem em comum? Não é o fato do garoto esquecer de toda a catástrofe e correr atrás da garota sem se importar com o fatídico fim. Tampouco o fato do rapaz seguir vivendo, aos trancos e barrancos, apesar de toda intempérie cotidiana. Este último, na verdade, faz-me pensar que a vida está mais pra uma propaganda de cerveja que de margarina. Não aquelas que só tem festa, mulheres semi-nuas e muita curtição, mas aquela que diz que tudo é redondo e gira e dá voltas. E, sabe, por mais que tudo gire, sempre falta alguma coisa. Sempre há algo incomodando, fazendo com que sonhe por não faltar ou simplesmente vivendo de outras formas. O dia que não faltar, acredito, iremos atrás da garota, mesmo com um meteoro atrás de nossas cabeças. (suspiros)

sábado, 4 de setembro de 2010

Foi o tempo em que os dias eram claros e as noites promissoras. Foi o tempo em que as tardes eram alegres e vivas. Foi o tempo que o telefone era extensão do seu dia. Foi o tempo que você ligava pra mim. Pena.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Recebeu uma caixa com o presente: uma massagem de velas. Massagem? Mas, pra não haver erro, já tinha data e horário marcado. Diante da necessidade, fez uma força e foi. Uma sala escura, iluminada por velas, um aroma indiferenciável, um ofurô vazio no canto, a música suave e baixinha ao fundo. Descobriu que as velas não eram aquelas que vira iluminando o recinto e sim outras, derretidas dentro de uma panela. Assustara-se inicialmente, mas logo seu lado masoquista provocou-lhe. Tudo começou com uma massagem relaxante e, após o aviso, logo sentiu o calor da cera derramando sobre sua perna. A dor não existia, somente uma incrível sensação que algo quente percorria seu corpo e levava embora todas aquelas frustrações. Da perna, o pé e a sensação neste momento foi indescritível. Sentia tanto prazer daquelas mãos em seu pé que não entendia por que nunca o explorara antes. Dos pés foi para a coxa, abdome, tórax, braços, mãos, pescoço. Virou-se e, enfim, as costas. Desde a primeira vez o calor da cera agradara-lhe e, por si, viveria daquela forma. A sensação que a cera quente deixava quando saía e era substituída pelo ar frio da sala só aumentava mais o prazer do novo derramar. Aquelas mãos fascinaram-no! Ao final, levou tranquilamente, vestiu seu roupão e, contido, foi embora. Uma experiência boa, certamente.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

E foi quando meus olhos brilharam e eu voltei olhando pro outro lado da rua, esperando vê-la cruzar meu caminho.

domingo, 25 de julho de 2010

Se nosso coração só serve pra bombear sangue, se tudo o que pensamos se dá em nosso cérebro, por que será que dói lá dentro do peito nessas tardes cinzas??? Que dor, viu?! Consigo não...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Não sabia ao certo como faria, mas preparava-se pra esse momento há tempos. Esperou, esperou, nunca encontrava a hora certa. Quantas vezes imaginou-se, sozinha, sentada a uma mesa de um café ou olhando o pôr-do-sol pensativa. Sua liberdade, há tanto aprisionada, amordaçava-lhe a alma. As vezes tinha vontade de gritar e, no seu íntimo, gritava elouquentemente, em vão, no entanto. Tinha que se libertar e então treinava na frente do espelho dia sim, dia sim também. Seu maior medo era machucá-lo, mas sabia que assim machucá-lo-ia muito mais. Sua vontade de estar sozinha, de estar com outra pessoa, era tanta que se sentia culpada. Enquanto isso, via a vida passando como um filme que mostra suas cenas em uma sucessão de tempo. Sonhava com uma paixão, um amor; invejava os beijos ardentes dos casais no meio da rua; desejava fazer planos, viver uma vida outra. Enquanto isso, vivia a ilusão de que tudo se resolveria... ilusão.