sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Recebeu uma caixa com o presente: uma massagem de velas. Massagem? Mas, pra não haver erro, já tinha data e horário marcado. Diante da necessidade, fez uma força e foi. Uma sala escura, iluminada por velas, um aroma indiferenciável, um ofurô vazio no canto, a música suave e baixinha ao fundo. Descobriu que as velas não eram aquelas que vira iluminando o recinto e sim outras, derretidas dentro de uma panela. Assustara-se inicialmente, mas logo seu lado masoquista provocou-lhe. Tudo começou com uma massagem relaxante e, após o aviso, logo sentiu o calor da cera derramando sobre sua perna. A dor não existia, somente uma incrível sensação que algo quente percorria seu corpo e levava embora todas aquelas frustrações. Da perna, o pé e a sensação neste momento foi indescritível. Sentia tanto prazer daquelas mãos em seu pé que não entendia por que nunca o explorara antes. Dos pés foi para a coxa, abdome, tórax, braços, mãos, pescoço. Virou-se e, enfim, as costas. Desde a primeira vez o calor da cera agradara-lhe e, por si, viveria daquela forma. A sensação que a cera quente deixava quando saía e era substituída pelo ar frio da sala só aumentava mais o prazer do novo derramar. Aquelas mãos fascinaram-no! Ao final, levou tranquilamente, vestiu seu roupão e, contido, foi embora. Uma experiência boa, certamente.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Não sabia ao certo como faria, mas preparava-se pra esse momento há tempos. Esperou, esperou, nunca encontrava a hora certa. Quantas vezes imaginou-se, sozinha, sentada a uma mesa de um café ou olhando o pôr-do-sol pensativa. Sua liberdade, há tanto aprisionada, amordaçava-lhe a alma. As vezes tinha vontade de gritar e, no seu íntimo, gritava elouquentemente, em vão, no entanto. Tinha que se libertar e então treinava na frente do espelho dia sim, dia sim também. Seu maior medo era machucá-lo, mas sabia que assim machucá-lo-ia muito mais. Sua vontade de estar sozinha, de estar com outra pessoa, era tanta que se sentia culpada. Enquanto isso, via a vida passando como um filme que mostra suas cenas em uma sucessão de tempo. Sonhava com uma paixão, um amor; invejava os beijos ardentes dos casais no meio da rua; desejava fazer planos, viver uma vida outra. Enquanto isso, vivia a ilusão de que tudo se resolveria... ilusão.
domingo, 4 de julho de 2010
Engraçado como o tempo é relativo. Viu-a uma vez e pouco conversaram. Na noite seguinte, acolhidos sob um lindo céu negro com estrelas vivas, se encontraram e, dessa vez, conheceram-se, brincaram e cantaram. Sentados em edredons sobre a grama, a luz das velas davam o tom ao encontro. Ele tocava violão e, muitas vezes, este era o pano de fundo pro diálogo musical que travavam. A lua tornava tudo mais especial; mostrava-se ao alto, graciosa, cheia, linda, e ambos a olhavam no instante imediatamente antes de cruzarem seus olhares. Embriagados pelo que viviam, como jovens que eram, pouco se importavam no que aconteceria após. Entretanto, o dia seguinte chegava como sempre e ela foi embora, deixando memórias que faziam-no sorrir a toa. Sorriu por muito tempo... não sabia quando a reencontraria, mas aquela noite tinha sido tão intensa que o quando não importava. Conversavam por palavras distantes até que, com um tom de dúvida, ela o abandonou definitivamente. Sofreu um pouco e seguiu sua vida, mas sua lembrança ainda arranca-lhe um sorriso.
E você, mesmo com a mais rápida passagem em minha vida, receberia uma carta linda! Meu reino pra saber o que você sentira naquela noite.
E você, mesmo com a mais rápida passagem em minha vida, receberia uma carta linda! Meu reino pra saber o que você sentira naquela noite.
Ele queria escrever cartas. Queria escrever o que sentira por cada um deles. Aquilo tudo era tão vivo e claro em seu coração, que queria mostrar quão importante tinham sido. Sua família, seus amigos, seus amores. Esses últimos, mesmo sem querer, rondavam sua cabeça um pouco mais. Independentemente da duração, 5 anos, 1 ano, 3 meses, 2 dias... uns que nunca aconteceram, outros interrompidos... Não sabia o que achariam e se preocupava com o que poderia causar. No final, não mandou, mas pensou em escreve-las, cada uma delas, para cada um de vocês, seu pequeno pedaço desse coração adormecido.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Foi pensando nela que escreveu seus primeiros versos. Não sabia ao certo o que queria dizer, mas sentiu-se compelido a começar. Não tentou ser romântico, tampouco galanteador, simplesmente deixou sua pena deslizar, a deriva, como quem corre contra o vento simplesmente pelo prazer tátil no rosto. Escreveu dois poemas, pouco claros, pouco corretos, muito subjetivos. Era sua primeira experiência com as letras, mas sentira que aquilo o fazia bem, que podia expor-se como nunca antes. Achava-se protegido, sabia que ninguém tentaria entender o que não estava escrito. Fato. Talvez se fossem melhores, talvez se tivesse mais técnica, talvez. No fundo, gostaria que entendessem. No fundo, tudo aquilo não passava de um grito. E ela, a moça do início da história, bem, ela nunca ligou muito.
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Era noite e fazia um clima ameno. A lua iluminava seu caminho e ela ouvia ao longe o som dos carros enfurecidos em sua fria volta para casa. Encostada no parapeito, podia ver o rio que insistia em cruzar todo o cinza imundo daquela cidade sombria. Exitou por um momento, mas no instante posterior jogou a rosa aos cuidados da água. Enquanto sentia seu coração chorar por dentro, via a rosa partindo, sem olhar pra trás. Essa cena talvez tenha ficado em sua cabeça e se repetido tantas vezes... Por menos de um impulso não pulara no rio pra resgatá-la, por mais do que um impulso escrevia sobre vida e amor, esperando revê-la; por um impulso, não sabia o que fazer. Via-se repetidamente perdida dentro dela mesma, sem forças pra qualquer atitude. Agora, procurava um sentido pra isso tudo, em vão.
sábado, 5 de junho de 2010
Patty Pimentinha: O que você acha que é Amor, Charlie?
Charlie Brown: Bem, anos atrás meu pai tinha um sedan preto, 1934.
Patty Pimentinha: E o que isso tem a ver com Amor?
Charlie Brown: Então, isso é o que ele me disse: tinha essa menina, sabe? Meu pai e ela passeavam juntos de carro e sempre que ele ia pegá-la, ele segurava a porta para ela. Depois que ela entrava no carro, ele fechava a porta e dava a volta por trás do carro para entrar do outro lado. Só que, antes de ele chegar, ela se esticava até a porta do motorista e apertava o botão, trancando-o para fora. Então ela ficava lá dentro, fazendo caretas e sorrindo para ele. Para mim, Amor é isso.
... é... concordo.
Charlie Brown: Bem, anos atrás meu pai tinha um sedan preto, 1934.
Patty Pimentinha: E o que isso tem a ver com Amor?
Charlie Brown: Então, isso é o que ele me disse: tinha essa menina, sabe? Meu pai e ela passeavam juntos de carro e sempre que ele ia pegá-la, ele segurava a porta para ela. Depois que ela entrava no carro, ele fechava a porta e dava a volta por trás do carro para entrar do outro lado. Só que, antes de ele chegar, ela se esticava até a porta do motorista e apertava o botão, trancando-o para fora. Então ela ficava lá dentro, fazendo caretas e sorrindo para ele. Para mim, Amor é isso.
... é... concordo.
domingo, 16 de maio de 2010
No fim, ele dançou a tal valsa com a paixão platônica, mas não se beijaram no final e nem o filme acabou. Ele, ainda em estado de graça, não sabia o que fazer. Nem se dara conta do que acabava de acontecer. Ela, em pé em sua frente, chamando-o pra dançar a valsa. Ele estendeu sua mão e segurou a dela com tamanho encanto... esses jovens! Se preocupou tanto se dançava direito que nem aproveitou aquela companhia. Quantas vezes sonhara com aquilo? Esperava que durasse a noite toda, mas findados alguns minutos tudo teria acabado. E acabou. Abraçaram-se e cada um voltou pro seu canto. Mais no fim ainda ele acabou com sua outra paixão, talvez sua única paixão, totalmente transloucado por acontecimentos ininarráveis. Nessa mesma noite ela se foi e, aparentemente, pra sempre. Apareceu uma vez ou outra, mas não era mais ela.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
A vida evoluiu do Pense bem e chocolate surpresa pro Pogobol, pro ioiô da coca e cavaleiros do zodíaco. Do Atari, veio o Master e o Nintendo. Veio então a fase do cinema. A gente se encontrava na frente da Mesbla, comia um Mcalgumacoisa por R$4,50 e ia ao cinema, ou o contrário. Quando sobrava um pouco de dinheiro sempre rolava uns jogos na divertlândia. Nessa época já tinha SuperNintendo e o MegaDrive. Vieram, então, as aulas de violão, que sempre resultavam em rodinhas no gramado no recreio ou após a aula. Nessa época os sentimentos iam e vinham como tempestades, como músicas que não duravam mais de 3 minutos. Veio então o Nintendo64 e o playstation e, das tardes sentados no gramado, a vida foi se transformando em carteiras, livros e pressão de vestibular. Já nessa época todos estavam muito preocupados com a prova pra reparar em tudo aqui que mudava. e mudou muito. O baile de formatura do 2.o grau foi talvez o marco pra muitos do fim dessa fase (e tem gente que acreditava que dançaria valsa com aquele amor platônico e o filme acabaria num beijo). A faculdade, enfim, de tão nova, fascinante e curta logo se transformou em memórias, na maioria boas. Trabalho, concurso, casamento, filhos. Hoje já temos o playstation3 e até roda windows em videogame. Alguns fizeram um caminho mais longo, mais tortuoso. Talvez não se conformassem tanto com os rumos e tentaram algo diferente. Talvez tenham conseguido. Eu, bobo que sou, enfim chego ao final de mais uma etapa e, confesso, tenho medo e uma tristeza que embola esse coração. Aceito que esse medo é normal, que faz parte da vida, mas isso não o torna mais suportável. Olho pra trás e confesso que tenho saudades. Gostaria que tudo fosse mais fácil e eu simplesmente pudesse ligar pra todas aquelas pessoas importantes que não estão mais presentes... não dá... acho que já vi esse filme e não dava certo. Isso tudo só pra escrever a porra dos agradecimentos do convite de formatura.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Assisti Avatar. Bem, eram 5 estrelas, segundo a crítica do jornal. Um filme que apresenta pouco de uma sociedade já devastada e logo te insere ante criaturas mágicas, com bela fotografia, belos cenários e uma enfadonha tentativa de te convencer. Diante de frases clichés como combater o terror com terror, impõe um imperialismo real, caricato, ante um apelo ambiental, como deveria ter sido em Copenhague. Um roteiro totalmente previsível com muitos efeitos especiais. Sim, vale a noite e dá até um suspiro no coração.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Férias. As últimas por algum tempo. Falta tão pouco e tanto ao mesmo tempo. Dizem que o 11o e o 12o semestres passam tão rápido porque é tanta preocupação com residência e afins. Não preocupação em passar, mas sobre o que fazer da minha vida. Sinto novamente aquela sensação de escolher uma carreira no vestibular, mas agora com mais responsabilidade. Após 10 anos de graduação, não me dou muito o direito de errar novamente. Conciliar meu id e superego (pena do ego! pena!). Há 10 anos eu me preocupava e sonhava e, hoje, vejo que, dessa vez, acertei. E estou bem com isso e comigo, e não há nada mais importante. Poderia estar melhor, é verdade, mas a vida encaminha-se de arrumar, ou não. Muito eu vivi, talvez menos do que desejaria, mas tive coragem de mudar tanta coisa e disso me orgulho. Hoje eu enxergo que estou mais maduro e que foi bom que tudo tenha sido dessa forma. Ponto. (Suspiros...)
Confraternização de final de ano: o primeiro, apático com sua vida e sem muita vontade de fazer mais. Vivendo a família, reclamando do marido, insatisfeita com o trabalho. Enfim encaminhado, vivendo o presente sem se preocupar com o amanhã. A mesma vida de sempre. Animado, o fim de uma jornada, muitos caminhos, muitas perspectivas e um brilho no olhar ofuscado pelo relacionamento atual. Apagada por ela mesma, mas com tanto potencial. Frustração e insatisfação, mas uma nova etapa que o impele a novas decisões. O mesmo brilho no olhar, a mesma felicidade que esconde tantas desesperanças e desilusões.
sábado, 28 de novembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Sabe, eu sou de um tempo que havia gentileza. Não necessariamente carinho nem amizade, mas sempre gentileza e educação. Não abria balinha se não tivesse pra todo mundo, oferecia tudo antes, abria sempre a porta pras pessoas passarem, dizia obrigado e por favor pra tudo. Mas nesse mundo não há lugar pra gente assim... Hoje, "eu não vou trazer chocolate pra macho" (e eu recusaria se oferecido). Não sei se as pessoas zangam-se quando ouvem (na frente de sua namorada e calam) "não cara, não é questão de ser macho, é questão de educação" e isso vem de casa, não dá pra ensinar, infelizmente. Queria que houvesse mais gentileza no mundo.
domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Essa vida de plantões... o dia começa as 7h da manhã e, sem parar, as 19h tem um plantão que só termina as 7h do dia seguinte. Um cochilinho no meio da noite, a preocupação de alguém precisar, na verdade a torcida pra ninguém te chamar e você dormir. As 7h, as atividades rotineiras com ambulatórios, enfermarias... e isso até as 18h quando você vai, enfim, para casa, cansado, depois de 36h de correria e pouco descanso. Morto de sono, você tenta descansar, mas mesmo o mais animado filme de ação é devagar diante do seu sono. Você dorme um pouquinho, acorda as 23h morto de fome e com frio. Levanta, come e, de repente, o sono some! Logo agora que eu queria dormir pra recuperar as forças, sem sono, ainda cansado, sem vontade de estudar. Lá pelas 3h da manhã consigo pegar novamente no sono, mas aí já levanto as 6h, pra estar no hospital as 7h e aí tudo começa denovo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Lembranças elouquentes daquela tarde que me vi perdido entre árvores e pensamentos. O ar fresco trazia um desejo, um sentimento adormecido, uma vontade de viver neste mundo. A chuva, por sua vez, insistente como só ela, tentava afugentar aqueles sentimentos, mas só conseguia torná-los ainda mais belos. Tudo aquilo que era novo e encantador acabou como cortinas que se fechavam, mas me deu forças pra seguir sonhando e sonhando.
sábado, 19 de setembro de 2009
Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo que quer
Meu coração de criança não é só a lembrança de um vulto feliz de mulher
Que passou por meu sonhos sem dizer adeus
e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.
A incrível arte de aproximar e afastar pessoas... Não entendo o que acontece, juro. Da mesma forma que as pessoas se aproximam de mim, tão fácil; elas se vão, aos pouquinhos, de repente, sei lá como. Será egoísmo querer guardá-las todas em mim?
Meu coração de criança não é só a lembrança de um vulto feliz de mulher
Que passou por meu sonhos sem dizer adeus
e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.
A incrível arte de aproximar e afastar pessoas... Não entendo o que acontece, juro. Da mesma forma que as pessoas se aproximam de mim, tão fácil; elas se vão, aos pouquinhos, de repente, sei lá como. Será egoísmo querer guardá-las todas em mim?
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Devo atender umas 30 crianças por dia e é sempre a mesma coisa: febre, dor de cabeça, diarréia, vômitos... Hoje houve um caso diferente. O que era inicialmente só uma dor de barriga torna-se algo tão ruim. Como dar a notícia? Quando dar a notícia?
As vezes a gente sofre um pouco com os pacientes. É só trabalho, mas é vida.
As vezes a gente sofre um pouco com os pacientes. É só trabalho, mas é vida.
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